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Estação das baixas temperaturas também é a das crises de lombalgia

Publicado em 28 de abril de 2016

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É só a temperatura cair um pouco, que Ana Ferreira, de 55 anos, já sente no corpo a chegada do frio. “Transpiro os pés e as mãos e a coluna começa a doer”, diz a goiana, que mora no Distrito Federal. A mudança da estação altera a rotina da empresária. “Tenho artrose. Durante o frio, meus batimentos cardíacos aceleram e sinto falta de ar. Tomo medicamentos, evito sair à noite e, para me aquecer, durmo com dois cobertores. Ainda assim, não é suficiente para sumir com as dores”. Ana faz parte de um número significativo de pessoas que sofrem com esse problema. Segundo estudo realizado pela Escola Nacional de Saúde Pública, que ouviu mais de 12 mil brasileiros, 36% afirmaram sentir dores nas costas, incômodo que costuma se intensificar no inverno.

“É comum as pessoas acharem que a dor é resultante apenas do clima frio, mas, nesse período, há um aumento significativo do diagnóstico de doenças que podem parecer assintomáticas nos dias quentes, como a artrose e as artrites em geral”, detalha Julian Machado, presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia da regional do Distrito Federal. A resposta por trás do aumento da dor no frio está na musculatura. Segundo a fisioterapeuta Íris Oliveira Dutra, o tecido se contrai involuntariamente, principalmente pelo fato de o indivíduo ficar mais tempo parado. Existe ainda o fato de as pessoas andarem mais encurvadas para tentar se proteger da baixa temperatura. Com isso, surge a vasoconstrição — processo de constrição dos vasos sanguíneos que reduz a irrigação muscular e faz com que o músculo leve mais tempo para exercer suas funções, ocasionando a rigidez muscular.

De acordo com o especialista em dor Carlos Gropen, por causar contratura muscular, o frio pode piorar uma dor preexistente, mas o desconforto causado unicamente pelo frio pode ser devido a algum problema clínico ainda não diagnosticado, chamado alodínia. “São sensações de dor provocadas por mecanismos não dolorosos, como tato, pressão e variações bruscas de temperatura”, explica.

Wesley Martins, de 50 anos faz parte da lista dos que necessitam de cuidados ainda mais especiais com a coluna durante as baixas temperaturas. “Tem que tratar e se cuidar. É nesse período de frio que os sintomas são mais presentes. Se eu não tivesse descoberto a tempo, hoje poderia estar em uma cadeira de rodas”, diz. O técnico em redes de telefonia demorou até descobrir que as crises eram sintomas de três hérnias de disco. “Foi difícil o diagnóstico. Eram atestados médicos um atrás do outro. Tomava injeções e voltava para casa”, lembra. “Um exame de ressonância magnética constatou que eu estava no início de uma quarta hérnia de disco.” Wesley acabou fazer uma cirurgia para reverter o quadro e se dedica às aulas de hidroterapia.

Postura inadequada, ganho de peso, sedentarismo, uso de sapatos inapropriados, controle inadequado de problemas clínicos, como o diabetes mellitus, e sobrecarga são alguns fatores que podem desencadear a dor nas costas. Mas o problema também pode estar associado ao fator genético. Segundo Gropen, existe um predisposição familiar a algumas patologias na coluna, como a artrose e a hérnia de disco. “Já foram identificados genes específicos, como o GDF5, o MCF2L e o FRZB, na predisposição à artrose mais grave e precoce”, afirma. A Organização Mundial da Saúde estima que 80% da população mundial teve, tem ou terá dor nas costas ao longo da vida.

Rotina equilibrada Entre os cuidados com a coluna, o ortopedista Julian Machado enfatiza a importância da prática de atividade física, além do uso de agasalhos para evitar a exposição prolongada ao frio. O alinhamento postural previne alterações na musculatura da coluna, mas é necessária uma adequação nos hábitos diários. “Alguns métodos podem ajudar na reabilitação, como o pilates, a reeducação postural global (PRG) e a hidroterapia”. Especializada em terapias manuais, Iris Oliveira Dutra também atesta a eficácia de outros métodos, como a mobilização neural, que consiste em avaliar os problemas neurais da irradiação da dor para determinadas partes do corpo; o método Mckenzie para tratamento na dor lombar; o Iso Stretching, que corrige as alterações musculoesqueléticas, disfunções de coluna e na postura; e a crochetagem, que usa um instrumento que lembra um gancho e é indicado para estimular a circulação sanguínea. “Vale frisar que essas técnicas não devem ser isoladas, elas atuam no complemento uma da outra para alívio da dor e tratamento”, diz.

Como a indicação é não ficar parado, a pintora Helena Vieira, de 43 anos, recorre ao balé para amenizar as dores nas colunas que ficam mais fortes durante o clima frio. “Descobri com um especialista que não tenho patologias, mas percebo que os alongamentos e os inúmeros exercícios ajudam a trabalhar a coluna”, diz ela, que frequenta a aulas duas vezes por semana. A professora de Helena, Flávia Tavares, confirma os benefícios. “Por se tratar de um exercício aeróbico, trabalha em conjunto a musculatura da coluna. Possibilita mais elasticidade, força muscular e o equilíbrio do quadril”.

A alimentação também é coadjuvante nesse processo. Para conter os estímulos dolorosos, a nutricionista Joana Lucyk sugere equilíbrio no consumo de ômega 6, presente em alimentos como óleos vegetais, milho, linhaça e gergelim. “O indicado é que seja uma dieta que contenha ômega 3, encontrado na linhaça, na canola, na semente de abóbora, no atum, na sardinha, no brócolis, na gema de ovo e no cassis”, pontua. Sobre o aumento da fome durante o tempo frio, Lucyk explica que, para driblar os excessos e aquecer o corpo, vale apostar em sopas que contenham substâncias bioativas presentes na cebola, no alho, no aipo, na soja, no pimentão vermelho e no tomate. “Uvas roxas e cupuaçu também atuam no controle da dor”, completa.

Fonte: Correio Brasiliense

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